Biombo Escuro

 27º Festival É Tudo Verdade

Tantura

por Alberto A. Mauad

10/04/2022; Foto: Divulgação

Alan Schwarz e a desorganização formal diante de um interessantíssimo objeto histórico

No auge dos anos de 1990, quando o mundo já estava nos preparativos para a chegada efetiva de um tumultuado novo século, o Estado de Israel e a Palestina logo teriam uma antiga e primordial ferida redescoberta. Tal situação causou uma desordem no país judaíco, justificando até censuras. O motivo do alvoroço foi destinado a somente uma pessoa, o pesquisador Teddy Katz, em vista de que, a sua pesquisa de mestrado girava em torno da tese que alegava a ocorrência de um genocídio hisótirico quando a Brigada Alexandroni, após a rendição dos moradores e resistentes árabes da cidade de Tantura, em 1948, teria executado mais 200 indivíduos palestinos.

Sendo assim, em Tantura (2022), o diretor Alan Schwarz intercala e desenvolve suas ideias por uma gama de sequências divergentes, desde entrevistas chaves com os personagens, imagens de arquivo e uma exploração urbana da vila em questão. Contudo, é justamente nessa diversidade que causa um efeito de supérfluo e de incapacidade do cineasta em contemplar com êxtase todos os seus artifícios. É cabalmente compreensível a falta de exacerbados registros do final dos anos 1940, durante o confronto. Todavia, a obra mostra uma inviabilidade no aproveitamento de todos aqueles sujeitos ali disponíveis, e as suas possíveis ações. No final, tudo se transmuta como repetitivo, é um molde ousado, mas que esgota rapidamente os seus mecanismos.

Para concluir, o longa-metragem de 2022 não compreende, exatamente, qual a sua proposta fundamental, fugindo da unidade e do seu eixo temático inúmeras vezes. Acaba que o filme se constrói, destrói e reconstrói suas bases argumentativas diversas vezes de uma maneira nada orgânica. Dando um sentimento ao público de desorganização, sem saber se foca, precisamente, no que aconteceu realmente naquele dia na conquista de Tantura, ou nas consequências e censuras sofridas por Teddy Katz. Na reta final, Alan Schwarz se apropria de um forma bastante batida, de um certo sensacionalismo, como se fosse um derradeiro apelo ao espectador diante de um último recurso.


Alberto A. Mauad

Redator

Estudante de cinema na PUC-Rio, redator do Biombo Escuro e cineasta. Tem interesse pelas áreas de linguagem, história e autorismo cinematográfico.