Biombo Escuro

27º Festival É Tudo Verdade

Vento na Fronteira

por Alberto A. Mauad

09/04/2022; Foto: Divulgação

Novas cineastas apresentam artifício narrativo instigantes, mas uma abordagem já exausta

A luta por direitos indígenas e a demarcação de terras. Esse é o tema da vez. Importantíssimo, claro, todavia, para o bem e para o mal, se tornou um dos assuntos mais discutidos na conjuntura atual. Portanto, em certa medida, Vento na Fronteira (Marina Weis e Laura Faerman, 2022) já nasceu em uma condição de desgastes. Logo, tal obra – e outras do gênero, também – acabam precisando recorrer a novos artifícios para a potencialização da manifestação do seu discurso e de seu próprio cinema.

A Última Floresta (Luiz Bolognesi, 2021), se aproveita, por exemplo, de um aparato que transmuta diversas vezes, entre o modelo clássico do documentário meditativo e direto, e um original instrumento ficcionalizado. Onde os personagens da aldeia indígena reencenam a criação primordial do mundo e as suas crenças míticas. À vista disso, aperfeiçoamentos e inovações nas narrativas destas questões sociais são requisitadas para evitar o esgotamento do filme.

No presente caso, a obra de Marina Weis e Laura Faerman encontra um mecanismo funcional inusitado e, ao mesmo tempo, demasiadamente ousado. Dado que as diretoras inserem no seu espectro narrativo tanto o ponto de vista dos nativos, quanto acompanha parte da rotina dos ruralistas. Onde, o ponto central gira em torno de um projeto de redemarcação de regiões localizadas na fronteira do Brasil e do Paraguai.

Tal método, todavia, é contextualizado a partir de uma abordagem formal esgotante. Em que, acompanhamos por meio de longas sequências e planos contemplativos os encontros e cotidianos banais de ambos os lados, seja em reuniões, imagens de arquivos no parlamentos, filmagem nas aldeias; ao mesmo passo que são auxiliados por algumas entrevistas mais diretas em determinados pontos temporais. Assim, Vento na Fronteira, consegue se sustentar e ganhar alguma força quando se desconecta e foge destes quadros já vistos e revistos amiudamente em outros documentários do tema.


Alberto A. Mauad

Redator

Estudante de cinema na PUC-Rio, redator do Biombo Escuro e cineasta. Tem interesse pelas áreas de linguagem, história e autorismo cinematográfico.