Biombo Escuro

25ª Mostra de Tiradentes

Uma paciência Selvagem me Trouxe até Aqui

por Alberto A. Mauad

27/01/2022; Foto: Divulgação

Uma Homenagem Reflexiva Acerca da Liberdade Lébisca

Uma Paciência Selvagem me Trouxe até Aqui (Érica Sarmet, 2021) é um curta-metragem que consegue trazer na sua bagagem artística diferentes abordagens que funcionam como uma grande ode a liberdade e a visibilidade lésbica. 

É uma obra que transita constantemente essa linha tênue entre o documental e o ficcional. Seja realizando diálogos e entrevistas diretamente à câmera ou no registro lento do cotidiano de Vange (Zélia Duncan), até conhecer as outras personagens e as suas conversas. Utiliza-se até de um artificialismo com contundência em prol do coletivismo, intimidade e vigor entre as protagonistas, tal qual a exacerbada exploração de cores e luzes que, em um primeiro plano, remete às redes sociais - contudo, Paciência Selvagem também ganha enorme força no melodrama. 

Ademais, é uma produção que visa justamente uma discussão social sobre a invisibilidade LGBT em diferentes épocas, vindo à tona nos diálogos manifestados entre Vange e as mais jovens. Procurando, para além da amizade, uma meditação diante da liberdade sexual e corporal.


    Alberto A. Mauad

    Redator

    Estudante de cinema na PUC-Rio, redator do Biombo Escuro e cineasta. Tem interesse pelas áreas de linguagem, história e autorismo cinematográfico.