Biombo Escuro

27º Festival É Tudo Verdade

A História do CInema: Uma Nova Geração

por Alberto A. Mauad

01/04/2022; Foto: Divulgação

Os Sonhos infinitos do cinema contemporâneo

Em Cemitério do Esplendor (2015), Apichatpong Weerasethakul insere, no seu contexto conteudístico e formalístico, uma atmosfera demasiadamente onírica. Não à toa, os primeiros planos da obra do cineasta tailândes são utilizados em A História do Cinema: Uma Nova Geração (2021), onde Mark Cousins separa um tempo da parte inicial para falar de uma tendência estética que muitas vezes se volta para a busca da sensação de sonho profundo e constante. Assim, o diretor anexa o cinema contemporâneo da última década, em um ambiente de imprevisibilidade e de uma excessiva crença nas possibilidades que a sétima arte pode permitir.

À vista disso, o longa-metragem funciona como uma sequência direta da minissérie A História do Cinema: Uma Odisséia (2011). Acercando-se, agora, apenas no tema e nas questões pertinentes à cinematografia mundial na década de 2010, além de lidar com indagações da era pré e durante a ascensão do novo Coronavírus.

Portanto, é evidenciado, na nova obra de Mark Cousins, um estilo plástico bastante remetente ao televisivo. Focando-se, consequentemente, em uma narração informativa e direta, o cineasta traz um contexto histórico; trata das inovações e de novos artifícios presentes na indústrias; de como certas produções também incrementam em técnicas primordiais de diversos gêneros, como a comédia, ação e o musical; atualiza o público com tendências cinematográficas cada vez mais relevantes e recorrentes, tal qual o Slow Cinema; traz comparações interessantes entre filmes demasiados; além de investigar as inúmeras formas que assuntos sociais se incorporam de maneira cada vez mais heterogêneas nas realizações ao redor do planeta.  

Logo, é fundamental perceber A História do Cinema: Uma Nova Geração mais como um novo episódio da série de 2011. Para espectadores cinéfilos recentes, com aptidão inicial para a biografia do cinema, é um prato cheio. No fim, é um filme que conclui expondo bem mais perguntas do que respostas, dado que, a discussão essencial é sobre uma fábula real que nunca há de ter uma conclusão de fato. Pois, assim como os sonhos, a cinematografia é um complexo de reinvenções constantes e infinitas.





Alberto A. Mauad

Redator

Estudante de cinema na PUC-Rio, redator do Biombo Escuro e cineasta. Tem interesse pelas áreas de linguagem, história e autorismo cinematográfico.